Quarta-feira, Julho 01, 2009
se não tem saída, pode não ter fim.
lembra daquele dia que saimos de moto? a gente mal sabia comandar aquela cg 250 mas que delícia.
quem é que tem aquela liberdade hoje em dia? sinto pena dessas crianças, mas nem tanto.
na verdade, eu penso muito mais em mim, em nós.
às vezes você também acha que perdeu uma parte da memória?
tem tanta coisa obscura nas minhas lembranças...mas não aquele dia que andamos de moto na chuva, você, meu parabrisa. nós duas, todas as risadas do mundo.
sabe esse sentimento? essa sensação de estar em comunhão com tudo, aquela natureza ali. é tudo muito a minha casa aquilo ali.
antes de dormir eu faço uma caminhada mental, sabe? eu desço perto da Betânia, ali onde tinha aquelas árvores que cegavam.
será que cegavam mesmo?
a gente corria com os cavalos quando chegávamos perto, não era? com medo delas.
eram lindas.
o bebedouro dos animais no meio do caminho, as casinhas assombradas.
eu ando em um dia de sol bem iluminado, 8 da manhã.
o riacho do padre.
o silêncio.
quer coisa mais linda que o silêncio?
o silêncio e sua confusão. o silêncio e seus seres. o vento.
chego em casa, a nossa casa, e chegou a hora de dormir. abrir os olhos é que é difícil. mas aí é comigo.
está tudo bem por aí? nem sempre falta, sabe? a maioria das vezes não falta nada.
só o de sempre, que chateia demais. parece visita mal-vinda.
mas as crianças crescem lindamente. betty está usando óculos. confesso que eu apostei que seria teo, o azarado. herança da minha mãe, essa coisa 4 olhos.
ela não liga muito, mas fica sendo diferente e isso me incomoda. queria que fosse fácil para todos eles.
queria ser um exemplo melhor. tento fazer o melhor. aprendo muito mais do que ofereço.
e é isso mesmo. foi assim comigo também.
você entende?
você sempre foi muito mais despreocupada do que eu. sempre livre, presente. e tinha muito mais ali, para você enfrentar. seus pais, a separação deles.
eu não entendia. eu até invejava toda a confusão.
agora eu só penso em proteger as crianças.
da fraqueza.
do medo.
eu morro de medo até hoje.
Segunda-feira, Junho 29, 2009
é a sua voz gritando enquanto durmo, quando acordo.
gritando quando, sem atenção, atravesso a rua.
eu não sei te responder.
eu mal acredito que alguém saiba de verdade descrever a sensação de encontrar, de se encontrar.
eu mal controle minha timidez, mal controlo minha fome, mal controlo meu dinheiro, mal controlo meu desejo.
desejo tanto que nem sei.
desejo até cinco sonhos diferentes.
desejo relembrar o que eu sentia há 15 anos atrás.
desejo consertar as pessoas que amo.
desejo crianças.
desejo minha casa.
desejo até mesmo, deixar de desejar.
estou tentando ser feliz, se é que isso diz alguma coisa.
Segunda-feira, Junho 22, 2009
Brigiti
Mas era mesmo uma maneira de se encontrar.
E se agora parece estar tudo quebrado, de quem pode ser a culpa?
Ela sabe disso.
Ela sabe disso enquanto vê a Baía de Guanabara através do vidro sujo e charmoso do Bar da Urca.
Até no susto que leva pelo mergulhador que não tem medo da poluição.
Será que existe mesmo sujeira para quem nasceu esbarrando no verde fuligem?
Sem angústia, seu coração quase não batia mais.
Por isso aquele abraço amigo reverberou em toda a caminhada.
Entre risadas e lágrimas ficou oculto o que podia ser verdade, o que era desabafo, o que era arrepio.
Só o que se escutou naquele dia de meia estação, ela sabia, foi alma.
Quarta-feira, Junho 17, 2009
é são joão. em todos os lugares de mim, é são joão.
pela figueiredo magalhães, amanhece são joão e eu caminho para o dia sentindo cheiro de marmaleiro.
atravesso a rua da passagem como se os carros fossem algarobas, juazeiros, juremas, ipês do sertão, mandacarus e xique-xiques.
e vejo colorido por onde passo, e escuto meu sangue em todos os lugares.
é são joão.
bem aqui, na boca do meu estômago, onde a saudade ronca.
Terça-feira, Junho 09, 2009
era mais difícil mas agora também é, só que de um jeito diferente. e talvez seja apenas o comodismo, que amorna, que amolece, que deixa nossos sonhos flácidos. as minhas mãos, a única verdade com que posso contar, estranhas a mim, a pele seca, as dores que surgem, o medo da morte, o medo de sofrer, o medo do fracasso.
um dia de ventania é um dia de pequenas viagens que minha memória faz. esses lugares que eu guardo, que materializam a minha história, que seguram meus cabelos enquanto esses sopros de ar partem em sua volta pelo mundo.
de repente abrimos o olho de manhã e o dia seguinte está entranhado. e no dia seguinte ao dia seguinte mal consegue-se escutar quem fala, mal consegue-se achar vontade de falar o que quer que seja.
eu estou aqui, você está aí. estamos tão pertos. porque essa distância?
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