Sexta-feira, Julho 04, 2008
FAZ. SÃO PAULO
o cheiro de bolacha três de maio assada na manteiga me leva, flutuando, a procurar na mesa da cozinha uma garrafinha de café, já adoçado, para acompanhar a iguaria.
no caminho, brinco com o branco e preto no xadrez do chão da sala, cumprimento a família na parede, sorrio nos últimos degraus e finjo não me arrepiar quando vejo, entre grades, três patinhos que passam no quintal.
Quarta-feira, Julho 02, 2008
se eu te chamasse, você viria?
se eu precisasse de novos ares, de nova perspectiva, se eu estivesse cansada, se eu quisesse mudar, você me acompanharia?
será que é isso que separa os sonhos?
entre ouro velho e nova iorque, existe assim, tanta diferença?
Quarta-feira, Junho 25, 2008
ALL AT ONCE
então a memória fica colada na madeira, nem sempre com a melhor resolução.
e se a conjunção dos fatores de repente se dispõe em frases prolixas e risadas nervosas, antigos traumas urgem pela superfície, aflitos que estão, pela falta de espaço entre eles.
essa casa que bate no meu peito, esse líquido, ínfimo, escorrendo sem pretensão indica o quê, exatamente?
o que corre nas veias não é cola, não garante nada, não é seguro, nem sempre é compassivo.
mas se é ali que tudo começa, talvez seja válido garantir um final feliz.
Terça-feira, Junho 17, 2008
SANGUE
todos esses teóricos especiais que desmancham letras e letras, construindo alguma forma, vezes flácida, nunca se apresentam no tempo certo, ali, quando a voz, veloz como o som, interpõe-se, comunicando, tentando, traduzindo as brechas.
é na parede, então, que a história é contada, e os sentimentos todos à mercê de quem vê.
então eu digo que seja melhor, que seja paciente, que abra bem os olhos, que aprenda a escutar.
no final, quem irá nos amar? quem irá nos seguir?
no final, irmão, seremos apenas nós.
então deixe o tempo para coisas melhores, respire o que vem,o que pode vir.
nem sempre tudo aparece em avalanche, tsunami, terremoto.
a natureza só dispensa essa energia quando quer renovar.
mas se queres renovação, quando ficar difícil, sugiro então que abra espaço para perdoar.
começando por você mesmo.
Domingo, Junho 15, 2008
às vezes dá vontade de sair correndo, voando por aí, até bater o olhar em um horizonte aberto, reto, plano...
por um caminho que me entretenha, que seja desconhecido e familiar a ponto de me fazer decorar todas as curvas e me surpreender com qualquer novidade como uma nova floração, uma chuva que traga verde...
no meu horizonte, não teria coroação maior.
estar em casa, com os meus.
minha trindade.
aqueles que me deram a vida e o outro que me ensina a vivê-la.
Quinta-feira, Junho 12, 2008
vi essa coisa legal e não quero perder o link então, um pouco de gracinha para hoje.
http://www.yeondoojung.com/artworks_view_wonderland.php?no=88
Segunda-feira, Junho 09, 2008
quando eu vejo teu rosto de perto, brinco com o lacrimejar para poder conhecer todos os lados da tua beleza.
são os detalhes como teus dentes de coelho, seus olhos grandes, as maçãs do teu rosto que me prometem o futuro.
teus joelhos, as pernas longas, o cabelo bom e forte e preto que ajudam a acalmar minha ansiedade.
se antes eu rodopiava sem saber dividir, finalmente minha vontade de aprender transformou-se em naturalidade.
a gente dança, valsando como bicicletas nas ruas do nosso amor, vezes por obstáculos, outras por caminhos livres, rápidos, retos.
vejo você se despedir, te dou um beijo de bom dia, grito que não esqueças a chave, e me recolho.
é tão bom te amar.
Quinta-feira, Junho 05, 2008
tinha sempre que anotar rapidamente senão os pensamentos se misturavam e se perdiam. mas quem disse que era isso que fazia?
é que, nem com todos os cadernos que insistia em comprar, dos mais variados tamanhos e estampas, conseguia ter um à mão na hora precisa.
achava sempre, com uma fé cega, que não iria ser traída pela memória. que os começos, seu principal interesse, geniais, estariam sempre disponíveis na hora certa.
por que o futuro quase sempre causava esse aperto no estômago. mais do que palavras que fogem, mais do que criatividade desorganizada, mais do que não ter para quem falar, mais do que não saber falar direito o que sente, mais do que pé de galinha, mais do que barriga flácida, mais do que...
" all that magic felling..."
Quarta-feira, Maio 28, 2008
muitas vezes esqueço do que me fez partir.
quase sempre estou perdida entre devaneios de saudade, idealizando o que está longe...
mas aí o dia aparece, como mais um dia, e as lembranças me pegam de jeito, amigas e sinceras.
ser livre não é fácil mas, em "si" plantando, dá.
Terça-feira, Maio 27, 2008
[ mundo das ostras ]
achava que era só quebrar a casca, deixar a luz entrar, olhar para o mundo interminável e imaginar como seria caminhar sobre a água.
nem tão doce, a ilusão, já que costumo ficar enjoada enquanto rodo, rodo a roda viva.
será que existe de fato vida lá fora?
Sexta-feira, Maio 16, 2008
de vez em quando passeio meus olhos pelos seus cantos e me disponho a consertar, limpar, organizar maternalmente suas coisas.
isso tudo pq meus dias são livres e eu posso escolher minhas atividades entre elas, desenvolver capacidade de servir, ler para abranger os pensamentos, fazer promessas banais como, sempre deixar a louça lavada, arrumar a cama, tirar as almofadas do chão.
quando você chega, o caos logo se estabelece, finalizando o dia e coroando a rotina.
nos meus cadernos espalhados por todos os lugares escondidos, listas e listas de coisas que eu desejo ser e fazer desbotam enquanto continuo sendo o que sempre fui, talvez mais do que gostaria.
o que sou me confunde e quando busco caminhos conhecidos só para não esquecer a base, são os horizontes e os sons que me levam de volta. quase nunca o olfato exceto por um cheiro de caatinga que nunca me visita in loco visto que, estou muito longe desse descanso.
tento controlar meus pensamentos, esperar a água ferver sem ansiedade e continuo festejando sempre que a sexta-feira desponta na manhã mesmo que não faça muita diferença.
Quarta-feira, Maio 14, 2008
minha casa é bem pequenina.
quase não dá para fazer yoga na sala, receber visita.
não dá para colecionar revista.
não posso ter muito copos.
na minha casa não cabe uma máquina de lavar.
não posso ter bicicleta.
mas a minha casa tem a parede vermelha.
e eu durmo na imensidão verde mexicana.
fico perto dos meus livros.
essa casa abriga minha voz nos longos dias de silêncio.
moramos eu, meu amor e uma lagartixa apelidade de julieta.
aqui aprendo a me revelar, me proteger.
a não juntar o desnecessário.
aprendo a amar e mais importante de tudo,
aprendi a ser amada.
Sexta-feira, Maio 09, 2008
há um tempo atrás, queixava-me não ter sonho algum durante o sono.
criativa que sou para criar neuroses, imaginei que minha vida andava tão monótona que nem sonho.
externamente, agora, nada mudou.
talvez o olhar...
uns dia de óculos, outros sem.
print screen vez por outra, para os detalhes.
mas os sonhos...
tudo mudou no meu mundo onírico.
hipopótamos, alces, casas novas, ruas largas, cachorros pequenos, grandes, mansos e bravos.
crianças, avós, claras e gemas, segunda guerra, mar, vidros, família.
será fruto da minha fase prosa?
Terça-feira, Maio 06, 2008
hoje fui agraciada por um dia de ventania e pensei, como pode algo tão simples me deixar plena e feliz?
todos os afazeres da rotina transcorreram sem pressa, sem ansiedade, sem necessidade de fala ou visão.
o dia era do tato.
do algodão no corpo.
do cabelo molhado.
do creme nívea hidratando o rosto de 27 anos.
hoje até as dores estavam tranquilas em minhas pernas, como se o dia de folga e ventania fosse mesmo um presente.
meu dia. minha casa. meu universo natal. minha igreja.
Sábado, Maio 03, 2008
minha mãe diz que eu herdei do meu avô a mania de não completar as coisas.
não acho que eu tenha esse tipo de problema.
acho que meu problema e ser ariana demais.
o que não completa é o tempo do meu interesse.
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