Quarta-feira, Maio 28, 2008
muitas vezes esqueço do que me fez partir.
quase sempre estou perdida entre devaneios de saudade, idealizando o que está longe...
mas aí o dia aparece, como mais um dia, e as lembranças me pegam de jeito, amigas e sinceras.
ser livre não é fácil mas, em "si" plantando, dá.
Terça-feira, Maio 27, 2008
[ mundo das ostras ]
achava que era só quebrar a casca, deixar a luz entrar, olhar para o mundo interminável e imaginar como seria caminhar sobre a água.
nem tão doce, a ilusão, já que costumo ficar enjoada enquanto rodo, rodo a roda viva.
será que existe de fato vida lá fora?
Sexta-feira, Maio 16, 2008
de vez em quando passeio meus olhos pelos seus cantos e me disponho a consertar, limpar, organizar maternalmente suas coisas.
isso tudo pq meus dias são livres e eu posso escolher minhas atividades entre elas, desenvolver capacidade de servir, ler para abranger os pensamentos, fazer promessas banais como, sempre deixar a louça lavada, arrumar a cama, tirar as almofadas do chão.
quando você chega, o caos logo se estabelece, finalizando o dia e coroando a rotina.
nos meus cadernos espalhados por todos os lugares escondidos, listas e listas de coisas que eu desejo ser e fazer desbotam enquanto continuo sendo o que sempre fui, talvez mais do que gostaria.
o que sou me confunde e quando busco caminhos conhecidos só para não esquecer a base, são os horizontes e os sons que me levam de volta. quase nunca o olfato exceto por um cheiro de caatinga que nunca me visita in loco visto que, estou muito longe desse descanso.
tento controlar meus pensamentos, esperar a água ferver sem ansiedade e continuo festejando sempre que a sexta-feira desponta na manhã mesmo que não faça muita diferença.
Quarta-feira, Maio 14, 2008
minha casa é bem pequenina.
quase não dá para fazer yoga na sala, receber visita.
não dá para colecionar revista.
não posso ter muito copos.
na minha casa não cabe uma máquina de lavar.
não posso ter bicicleta.
mas a minha casa tem a parede vermelha.
e eu durmo na imensidão verde mexicana.
fico perto dos meus livros.
essa casa abriga minha voz nos longos dias de silêncio.
moramos eu, meu amor e uma lagartixa apelidade de julieta.
aqui aprendo a me revelar, me proteger.
a não juntar o desnecessário.
aprendo a amar e mais importante de tudo,
aprendi a ser amada.
Sexta-feira, Maio 09, 2008
há um tempo atrás, queixava-me não ter sonho algum durante o sono.
criativa que sou para criar neuroses, imaginei que minha vida andava tão monótona que nem sonho.
externamente, agora, nada mudou.
talvez o olhar...
uns dia de óculos, outros sem.
print screen vez por outra, para os detalhes.
mas os sonhos...
tudo mudou no meu mundo onírico.
hipopótamos, alces, casas novas, ruas largas, cachorros pequenos, grandes, mansos e bravos.
crianças, avós, claras e gemas, segunda guerra, mar, vidros, família.
será fruto da minha fase prosa?
Terça-feira, Maio 06, 2008
hoje fui agraciada por um dia de ventania e pensei, como pode algo tão simples me deixar plena e feliz?
todos os afazeres da rotina transcorreram sem pressa, sem ansiedade, sem necessidade de fala ou visão.
o dia era do tato.
do algodão no corpo.
do cabelo molhado.
do creme nívea hidratando o rosto de 27 anos.
hoje até as dores estavam tranquilas em minhas pernas, como se o dia de folga e ventania fosse mesmo um presente.
meu dia. minha casa. meu universo natal. minha igreja.
Sábado, Maio 03, 2008
minha mãe diz que eu herdei do meu avô a mania de não completar as coisas.
não acho que eu tenha esse tipo de problema.
acho que meu problema e ser ariana demais.
o que não completa é o tempo do meu interesse.
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